Muito bem, estamos a um mês da E3. A Nintendo já marcou a data do seu Digital Event: dia 16/06, além de ter ressuscitado o Nintendo World Championship (que só terá eliminatórias nos EUA porque ‘MURICA) e confirmado que vai fazer novamente o Treehouse Live @E3.
Se paro para pensar um pouco mais, começo a dar pulinhos, bater palminhas e soltar gritinhos de excitação. Star Fox novo! Amiibos novos, exclusivos do eBay! Mario Maker (que eu acho que vai ser o jogo usado para o World Championship)! Mais personagens de DLC para Smash! Yoshi Wooly’s World, que já era pra ter lançado mas a vida é assim! E, se tudo correr bem, jogos novos! De franquias novas! E de franquias antigas!
Sempre é um exercício de masoquismo ser fã da Nintendo e ficar pensando qual franquia eles vão ressuscitar. Finalmente vamos ouvir o grito entalado na garganta do dublador do Capitain Falcon: “FALCON RACE!” e veremos um F-Zero novo? Quem sabe, um Kid Icarus pro WiiU? Será muita ousadia esperar um Golden Sun novo? Ou o grande sonho de todo mundo se realizará, e a Nintendo nos dará, finalmente, o Urban Champion HD?
Só de escrever esse último parágrafo já estou sorrindo feito um idiota. Não que eu saiba sorrir de outra maneira, mas neste momento está ainda mais idiota. Meu sorriso.
O problema é quando eu penso na única franquia que eu realmente não quero que a Nintendo anuncie: Metroid.
Sério, eu não quero mais Metroids. Chega. Nunca mais. Mesmo. Nem um Prime 4, nem o Dread, nem um Pinball 2. Não quero ver a Samus em mais nenhum jogo, só Smash e ponto.
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| Ok, e no inevitável jogo mobile que a Nintendo vai fazer. |
Claro que se a Nintendo lançar um Metroid novo eu vou comprar e jogar, mas vai ser mais o tipo de coisa que eu só vou fazer para ter certeza que eu posso deixar o universo de Metroid para trás e nunca mais olhar para ele.
Por que tanta negatividade contra Metroid?
Tudo por causa de Other M.
O jogo que estragou a Samus.
PARA SEMPRE.
…
Ok, para sempre é uma afirmação forte demais. Mas eu realmente acho que Other M estragou tudo que Metroid e a Samus representavam de uma maneira horrorosa. Só que não para todo o sempre. Sabendo trabalhar o material, sempre dá para salvar uma história ou um personagem.
O problema é se Metroid continuar nas mãos do criador, Yoshio Sakamoto, ou se a visão dele da personagem continuar guiando a série. Daí, sim, a Samus realmente se perdeu.
PARA SEMPRE!
Hora da historinha
Muito bem, hora da confissão: a primeira vez que eu conheci a Samus foi em Super Smash Bros para Nintendo 64.
Sim, eu sou um Fake Metroid Geek Boy.
Eu pulei o primeiro Metroid porque quando eu tinha um Phantom System (para quem não sabe, era uma das versões piratas do NES que lançou no Brasil), eu tinha uns sete, oito anos de idade e não tinha muito como acompanhar a cultura gamer, não existia internet na época, e nenhum dos meus outros amiguinhos que tinham Phantom Systems tinha Metroid, logo nunca tinha ouvido falar de Metroid e não tive como pedir Metroid de natal ou de aniversário para os meus avós. Me lembro de ter pedido o Bart vs Space Mutants. Sim, eu era uma criança idiota.
Mas a minha maior idiotice veio depois.
Pulei Metroid 2 porque não tinha um Game Boy. Porque eu tinha um Game Gear. Porque eu convenci minha família a me dar um Game Gear ao invés de um Game Boy. Porque cores. Estou ficando com vontade de viajar no tempo só pra dar um tabefe em mim mesmo criança. Criança idiota.
Enfim. Outro dia, quem sabe, eu falo das minhas memórias com o Game Gear.
Eu pulei o Super Metroid porque eu pulei a geração 16 bits. Eu não tive nem o Super NES nem o Mega Drive, e não me lembro porque direito até hoje. Tenho vagas memórias de ouvir minha família falar de como eu era crescidinho e não precisava mais de um videogame. Acho que o Game Gear deve ter pesado também para eu não ter ganho um console, afinal já tinha um videogame, ia ganhar outro? Mais um fator foi que naquela época só tinha uma TV em casa, acho que meus avós não iam querer perder o Jornal Nacional para eu poder jogar videogame. De qualquer maneira, pulei Super Metroid na época.
O que me traz o Nintendo 64, e eu sendo apresentado à Samus em Smash 64. Fake Metroid Geek Boy!
Mas se isso serve como atenuante, eu passei pela surpresa de descobrir que ela era uma mulher. Eu realmente chamava ela de “o Samus” quando jogava Smash 64, e tive uma grande surpresa quando descobri que ele era ela. Não lembro exatamente quando foi que descobri isso, mas me lembro de ter sido lendo alguma revista de games (revistas, alguém lembra dessas coisas?) falando de Metroid e de como o final era uma grande surpresa, quando você descobria que a Samus era uma mulher.
Daí, na geração do Gamecube e do Game Boy Avance, tivemos o histórico lançamento duplo de Metroid Prime e Metroid Fusion no mesmo dia (22/11/2002).
Não me lembro qual dos dois eu joguei antes, mas quero falar primeiro de Metroid Fusion. Eu gostei. Eu sei que muito fã não gosta da linearidade de Fusion, mas como meu primeiro Metroid 2D, eu gostei. Só teve uma coisa que me incomodou: os melhores finais só serem acessados se você termina o jogo em um tempo determinado.
Eu nunca fui de jogar com pressa esse tipo de jogo, os metroidvanias. Prefiro jogar na minha, devagar, caçando segredo, etc. A perspectiva de fazer tudo correndo me brocha um pouco.
Sim, entendo que a idéia dos finais speedrun de Metroid é justamente que você jogue algumas vezes antes para explorar, até você conhecer bem o mapa e refinar suas habilidades e então conseguir acabar o jogo rápido e assim ser recompensado com os finais melhores. Mas, sei lá, eu sou um preguiçoso e quero final bom mais fácil. Mimimi.
Por sorte, não tinha final dependente de tempo em Metroid Prime.
Logo, eu acabei Metroid Prime três vezes. Seguidas.
Eu adoro Metroid Prime. É um dos meus jogos favoritos da vida para sempre enquanto eu viver. Esse jogo é muito bom. Espetacularmente bom. Inacreditavelmente bom. Se algum dia você tiver a chance de jogar esse jogo, jogue. Eu recomendo. Se você tiver que escolher apenas um jogo do Gamecube para jogar na sua vida, escolha Metroid Prime. Sim, eu recomendo este jogo sobre Resident Evil 4, Smash Bros Melee, Mario Sunshine, Tales of Symphonia e mesmo sobre Paper Mario: The Thousand-Year Door, que é um dos dois melhores RPGs do Mario na minha opinião (o outro sendo Mario & Luigi Superstar Saga - desculpa, Super Mario RPG). A única dúvida seria Wind Waker, o meu Zelda favorito. Não sei qual dos dois recomendar mais, mas como tem a versão HD do WW pro WiiU (que é realmente melhor que a do Cube), fico um pouco mais confiante em priorizar Metroid Prime na minha recomendação. Sério, eu gosto tanto assim desse jogo. Mesmo as duas maiores críticas que existem a esse jogo são pontos positivos para mim: o backtracking e o scan visor, que eu os encaro como maneiras de aprofundar o universo do jogo, fazendo você se interessar mais pela história e conhecer mais os diferentes cenários de Talon IV (o planeta onde o jogo se passa), um belo lugar para se visitar, se você estiver bem armado.
E, enquanto eu jogava esse jogo, eu conheci uma certa Samus Aran.
A Samus que conheci
Qual foi a Samus que eu conheci jogando Metroid Prime, e que imagino ter sido a mesma Samus que muita gente conheceu jogando o primeiro Metroid?
Uma badass.
Ou, na melhor palavra que eu consegui em português, uma fodelona.
Sim, eu desisti da minha política de evitar palavrões neste blog, porque para descrever a Samus que conheci, preciso usar toda a extensão da minha pobreza de vocabulário, e ela era muito fodelástica pra caramba. E eu não queria usar algum termo masculino, como “o cara” ou “o pica das galáxias” ou “do grande caralho”, por mais que eles passem bem o significado que eu quero. No fundo, prefiro que surja a expressão “uma pessoa muito Samus” para significar “badass” em português, mas infelizmente essa expressão se perde quando lembramos que Other M existe. Mas agora não é a hora de falar dessa abominação, vamos focar na Samus badass. Vou usar o termo em inglês por me incomodar menos escrevendo ele que escrevendo fodelona. Irgh.
Quem é a Samus Aran badass?
Pra começar, ela é alguém que é enviada sozinha para resolver um problema de escala planetária.
E ela vai. Sem pestanejar.
Isso nos mostra que ela é respeitada por muita gente, que confia e acredita na capacidade dela, e que ela também é confiante o bastante na própria capacidade para fazer valer o respeito que sentem por ela. Para mim, essas duas qualidades valem muito, principalmente sendo alguém que sempre teve dificuldade com responsabilidades maiores que ir comprar pão (se tinha que trazer leite também, eu já começava a chorar) e que sempre achou que as pessoas não acreditavam que eu seria capaz de realizar alguma coisa na vida (paranóia pura, por mais que eu tenha a sensação que essas pessoas imaginárias estavam certas).
Poder controlar uma personagem como ela, alguém que vai fazer o que tem que ser feito e que consegue se virar em qualquer situação era algo muito poderoso para mim.
Sim, era só um videogame, sim, minha vida não estava em risco de verdade, sim, era só desligar o Gamecube que eu era o mesmo bostinha de sempre que não queria nem explorar a área comum do prédio onde morava, sim, eu sei disso tudo. E, se eu for ser bem sincero, eu era bem medroso no começo do jogo, entrando devagar em cada área nova, me escondendo atrás de quinas para ver se tinha algum inimigo e etc e tal. Imagina, começava a levar dano, eu entrava em desespero. Mas a Samus estava disposta a explorar e enfrentar uma base espacial inimiga e um planeta hostil, e eu ia com ela, acreditando nela, ajudando ela cumprir sua missão.
Esta é, aliás, uma coisa minha com videogames: eu nunca fui muito de sentir que eu sou o personagem principal do jogo, eu sempre me encarei como alguém ajudando ele ou ela na sua história. Mesmo em jogos onde eu crio meu avatar e coisa e tal. Acho que é porque se eu me ponho na situação do herói/heroína, eu concluo que tudo vai dar errado e o mundo vai ser destruído. Mas vamos deixar este tema de lado por enquanto, outro dia faço um post sobre isso. Voltemos à Samus badass.
Muito bem, estabelecemos que ela é respeitada por muitos e que ela tem bastante auto-confiança. Aliás, acho que isso é algo que aprendemos sobre a Samus na maior parte dos jogos, já que a maioria envolve ela receber uma missão e ir lá cumprir ela. Sozinha.
Porém, antes de parecer que ela é uma soldada imbecil que cumpre cegamente qualquer ordem dada, acho importante lembrar duas coisas sobre ela: uma, ela é uma caçadora de recompensas, e duas, ela tem um histórico com os piratas espaciais, os responsáveis pela morte dos pais dela quando ela era criança e que são, na maioria das vezes, a origem do problema que ela tem que resolver.
Agora parece que ela é uma mercenária vingativa. Tá difícil.
No fundo, a imagem que eu tenho dela é que ela criou uma visão meio maniqueísta do mundo, onde os piratas espaciais seriam a personificação do mal e ela tem o dever de destruí-los para impedir que eles gerem mais vítimas, e que por mais que a Federação Galática seja “o bem” (por antagonizar com “o mal”, os piratas espaciais) e a Samus cumpra diversas missões passadas por ela, a caçadora prefere agir sozinha, por fora, por não se encaixar numa organização militar.
Basicamente, ela é o Batman do espaço. Só que ela mata.
E, assim como o Batman, ela gera medo nos seus inimigos.
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| E ela também tem um holofote customizado. |
Este é um fato que aprendemos cedo em Metroid Prime, se você se dá o trabalho de escanear os computadores da estação espacial. Os piratas espaciais se borram nas calças só de pensar na Caçadora, como a chamam. Eles vão pra cima dela quando a vêem? Sim, mas por dentro eles estão chorando e pedindo a chupeta para a mamãe cérebro.
Isto é muito badass. Ser eficiente e poderosa o bastante para seus inimigos tremerem quando ouvem seu nome? Badass nível viking.
Sim, no mundo real isso é uma coisa ruim, o ideal é que sejamos bons uns com os outros e que aprendamos a entender nossas diferenças e convivamos em harmonia.
Mas no universo de Metroid, onde há uma divisão mais clara entre o bem e o mal? Isso é ser badass. Isso é ser Samus.
Outra coisa importante que aprendemos nesse começo do jogo, e que acho algo específico do Metroid Prime (e do Prime 2, em certo grau), é que ela se vira em situações adversas, ou pelo menos ela “keeps calm and carries on”.
Seguinte, para quem não jogou: quando começamos Prime, na estação espacial, a Samus acabou de vir de Zebes, assim que ela derrotou a Mother Brain no primeiro Metroid. Ou seja, ela está com todos os upgrades que ela coletou lá, como a Morph Ball, as bombas, os mísseis, etc. Só que como todo mundo que já jogou um metroidvania sabe, o herói/a heroína começa tosco e no decorrer do jogo ele/ela ganham novas habilidades que permitem explorar novas áreas e assim avançar o jogo. Logo, era necessário criar uma maneira da Samus perder todos os seus upgrades para assim ela ir recuperando-os e o jogo funcionar, com ela abrindo novas áreas gradativamente (apesar de ter uns glitches que permitem quebrar a ordem dos acontecimentos).
Solução encontrada pela Retro, o estúdio que desenvolveu a série Prime? Uma explosão na base que avaria a armadura dela e assim deixando ela tosca o suficiente para o jogo funcionar.
É, eu sei que não é a solução mais elaborada e criativa de todos os tempos, mas funciona. Bem o bastante.
O importante é o que isso e o que acontece em seguida nos mostra sobre a Samus: ela pula na nave dela e vai até o planeta que a base espacial orbitava para eliminar toda e qualquer presença pirata por lá. Sem pestanejar. De novo. Tenho que procurar outras expressões que tenham o mesmo significado. Traduzindo: ela encarou uma senhora adversidade como um “faz parte do trabalho” e foi encarar sua missão do jeito que estava, porque alguém tem que fazer o que tem que ser feito.
Sendo bem sincero, isto pode ser encarado como uma atitude ruim, onde ela não soube ou não quis pedir ajuda para outros num momento onde o apoio de terceiros provavelmente seria melhor. É só pensar nas diversas situações da vida onde não quisemos incomodar alguém e depois o problema ficar pior do que estava, também conhecido como “o meu histórico médico”.
Mas acho que na figura badass que estamos criando/projetando na Samus, essa atitude dela de aceitar o obstáculo e fazer o que dá com o que ela tem só acrescenta para a badassness dela. E sério, ela ia fazer o quê? Esperar um bando de homens chegar e fazer tudo errado? (Como aprendemos durante os diversos jogos da série, praticamente todos os soldados da Federação são homens e incompetentes.) (Sim, eu sei, correlação não implica causalidade, mas que os demais soldados da Federação me parecem uns tontos, eles me parecem.) Não, a Samus não tem tempo a perder e lá vai ela sozinha e sem nenhum upgrade salvar o universo.
Tudo isso de badassnessess só no começo do jogo.
Durante o jogo só vemos ela sendo mais badass, enfrentando hordas de inimigos e saindo vitoriosa todas as vezes, descontando todos os game overs que passamos (sério, não é um jogo muito fácil não).
Existe mais uma característica que acho importante falarmos sobre a Samus, apesar de eu já ter ressaltado ela várias vezes neste texto: o fato dela estar sozinha.
Mais do que um sinal da sua competência, a solidão da Samus não me parece algo que ela teme ou que a incomoda, para mim ela gosta de estar sozinha.
Sim, estou projetando de novo. Me deixem em paz.
Mas eu realmente acho que ela gosta de ficar só. Poder explorar sozinha, só ter que se preocupar consigo mesma, fazer as coisas no seu ritmo, não ter ninguém julgando-a quando ela explode um pirata espacial com um míssel carregado com plasma mesmo quando só um tiro simples já teria matado ele… Sabem, os pequenos prazeres da vida que vêm quando você aprende a conviver com a solidão.
Considerando também o histórico da vida dela, onde tanto os pais biológicos dela quanto os pais adotivos dela (os Chozo) foram mortos pelos piratas espaciais, imagino que ela tenha se tornado uma pessoa bem fechada, que prefere ficar na dela. Aliás, se alguém se interessar pela história do universo de Metroid, vou deixar dois links no final para um artigo muito bom (parte um e parte dois) sobre isso.
Acho que deu pra ver como a Samus que conheci era uma badass.
Só que tem mais um elemento muito importante na formação da personagem que eu não vivenciei jogando, mas lendo sobre Metroid.
Sim, estou falando do lado ““““mamãe”””” dela.
Mamãe Samus?
Talvez isso soe como spoiler, mas acho que já passou tempo o bastante do lançamento de Metroid 2 e Super Metroid para eu falar sobre o bebê metroid que a Samus deixa viver e resgata no final de Metroid 2 e que se sacrifica para salvar ela na luta final de Super Metroid. Mas só para não incomodar quem não sabe que a Samus resgata um bebê metroid no final de Metroid 2 e que ele se sacrifica para salvá-la na luta final de Super Metroid, vou deixar aqui um aviso de spoiler.
Spoilers! De Metroid 2 e Super Metroid!
Então, no final de Metroid 2, a Samus deixa um bebê Metroid sobreviver e leva ele de volta com ela. Ela acaba se identificando com ele, já que ela acabou de matar a rainha metroid e, bem, o bebê está órfão, assim como ela. Também tem uma dose daquela coisa de alguns pássaros acharem que a primeira coisa que eles vêem é a mãe deles (não é bem assim, mas é como a idéia é mais conhecida), e a primeira coisa que o bebê metroid viu foi a Samus. Enfim, ela se afeiçoou com o bebê e levou ele de volta com ela, deixando-o para ser estudado pelos cientistas da Federação.
Gosto de imaginar que ela passava lá no laboratório de tempos em tempos para dar um oi pro bebê metroid, levar algum brinquedinho, quem sabe até um pirata espacial com os membros quebrados e amordaçado para o bebê absorver a energia vital dele como um tipo de sobremesa especial ou coisa parecida. Mas acho que nunca foi elaborado muito como era a relação entre os dois, infelizmente. Tenho até a impressão que a Nintendo tentou fazer parecer que Super Metroid começa algumas horas depois do final de Metroid 2, mas para mim faz mais sentido ter passado algum tempo entre um e o outro, tempo o bastante para Samus e o bebê metroid terem formado um vínculo emocional.
De qualquer maneira, os piratas espaciais invadem o laboratório onde o agora adolescente metroid é estudado e o raptam. Esse é o começo de Super Metroid, para quem não conhece. Samus vai atrás dos piratas espaciais e após retalhar todos que entraram no seu caminho, ela reencontra a Mother Brain de novo, o chefão final de novo. Infelizmente para Samus, Mother Brain está bem mais forte e os programadores do jogo forçam ela a levar uma seqüência de ataques até ficar com quase nada de vida, para então o agora adolescente metroid aparecer para sugar um monte de energia da Mother Brain e repassá-la para Samus, recuperando todo o life e deixando ela com um super ultra blaster laser of hell que ela usa para varrer o chão com os miolos da Mother Brain. Só que no processo todo o agora adolescente metroid acaba agindo como escudo de Samus e se sacrifica por ela.
Bem triste.
Fim dos spoilers. Acho. Querem saber? Dane-se, spoilers sem parar até o fim.
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| Tanto que tó aqui o momento exato do sacrifício! (gif criado a partir deste vídeo) |
Que ela ainda tem compaixão. Que ela ainda tem empatia. Que mesmo depois de todas as batalhas e todo o sangue que ela já vivenciou ela ainda tinha espaço para se afeiçoar a outro ser vivo.
Mas me incomoda muito classificar isso simplesmente como “instinto materno”, como a própria Nintendo vende essa história. Eu discordo. Acho que isso tem mais a ver com ela projetar a infância e as origens dela no bebê do que necessariamente um “fator ovários”. O ponto que eu estou querendo chegar é que a Samus, ou melhor, o histórico dela influenciou sua decisão mais que uma coisa simplesmente fisiológica. O que aconteceu foi um crescimento da personagem, ela redescobrindo um resquício de compaixão dentro de si que achava ter perdido após toda a morte e toda a destruição que ela viveu e causou.
Sim, é possível que todo o útero e outros “mistérios femininos” dela tenham influenciado esse episódio, mas ainda acho meio reducionista ficar na leitura “compaixão porque estrogênio”.
De qualquer maneira, tão importante quanto ela ter reencontrado essa compaixão dentro dela, é o fato do recipiente de seu afeto ter sido morto na sua frente, com ele se sacrificando para salvá-la. No final de Super Metroid.
Isso seria um grande acontecimento para tanto nós quanto a própria Samus aprender mais sobre ela. Como esse episódio a afeta? Ela se fecha novamente para o mundo? Ela fica com um vazio dentro de si e começa a buscar outro recipiente para o seu afeto? Ela tem uma crise de choro e sai dela mais forte, mais firme na sua decisão de impedir os piratas espaciais de criarem mais vítimas? Ou ela só vai encher a cara num bar espacial para esquecer e afogar sua dor? Ou quem sabe alguma idéia boa, vindo de alguém mais competente que eu em criar cenários de personagens lidando com perda?
Eu sei que estou exigindo uma história mais profunda e emotiva da Nintendo, algo que a empresa sofre muito para criar, mas ainda acho que o que quer que eles fizessem a partir desse episódio, veríamos uma nova Samus, uma Samus que além de badass teria uma complexidade emocional e alguma profundidade. Tanto que acho que é por isso que Metroid Fusion se passa tanto tempo depois de Super Metroid e a trilogia Prime se passa entre Metroid e Metroid 2: lidar com esse crescimento da personagem ia precisar de um mínimo de dedicação e competência.
Só que aí tivemos Metroid: Other M.
…
PARA SEEEEEMPREEEEAAAAAAAAAAHH!!!
A Samus que Yoshio Sakamoto conhecia
Assim chegamos ao desastre, Metroid: Other M.
Eu já falei sobre Metroid: Other M em um post no meu blog pessoal, e por mais que eu ache aquele texto desnecessariamente confuso e sem um objetivo muito claro (não precisam ir lá ler), eu ainda concordo com a premissa básica dele: se você, criador, quer contar a origem da sua criatura, tome muito cuidado com a sua história pois você vai ter que lidar com as expectativas de muita gente, e que dar controle total para o criador de qualquer obra é sempre algo muito complicado, é essencial ter alguém que consiga dizer não e argumentar com as idéias dele. Sério, Citizen Kane é a excessão, Phantom Menace é a regra.
Basicamente, o Yoshio Sakamoto é o George Lucas dos games.
Não quero me demorar muito falando sobre o desastre que é a história de Other M e como ela destruiu a Samus de maneira quase irreparável, principalmente porque pessoas mais inteligentes que eu já fizeram isso (vejam nos links), mas eu tenho que pôr isto pra fora:
Yoshio Sakamoto transformou a Samus numa Bella Swan/Anastasia Steele/Pants.
Yoshio Sakamoto pegou uma personagem badass que nem a Samus e transformou ela numa garotinha idiota apaixonada que aceita os abusos de seu hômi perfeito como uma maneira dele demonstrar amor.
Yoshio Sakamoto pegou uma das grandes personagens femininas da história dos games e fez uma história onde a “verdadeira Samus” é uma mulher que só consegue agir se ela recebe a ordem do seu hômi.
Yoshio Sakamoto criou uma história que trata o fato de uma mulher levar um tiro do seu hômi para ele ir fazer o trabalho dela como uma coisa boa, como uma relação idealizada.
Yoshio Sakamoto está tendo seu nome repetido várias vezes para vocês saberem o nome dele e que se ele aparecer como algo mais que “criador original” nos créditos de qualquer Metroid, é para vocês ficarem bem longe dessa porcaria, que provavelmente vai ser uma abominação machista.
A Samus que ele conhecia, que ele finalmente apresentou para nós em Other M, que ele mal esperava poder apresentar para todos nós era uma escrava incompetente presa num relacionamento abusivo com um escroto, mas tido como “ideal” na cabeça dela, impedindo-a de perceber como ele só a prejudicava.
Sério, é nojento. Com apenas um jogo a Samus foi de um exemplo minimamente positivo de personagem feminina (apesar das controvérsias envolvendo a zero-suit, mas acho que dada a amostragem de personagens femininos em games, ela ainda caía no campo dos exemplos bons) para uma coisa digna de ser mascote dos MRAs e do Gamergate.
A Samus que eu conhecia era uma mentira. Ela não era confiante, ela só estava querendo agradar seu hômi. Ela não recebia missões impossíveis porque a Federação confiava nela, mas sim porque a Federação sabia que ela aceitaria fazer qualquer coisa para deixar seu hômi feliz. A Federação não era o lado do “bem” porque se opunha aos piratas espaciais, ela era o “bem” porque era o lado do seu hômi. Imagina, nesse contexto até o episódio do bebê metroid me parece diferente, já que a Federação queria estudar mais os metroids e talvez levar o último dos metroids para ela fosse uma maneira da Samus agradar seu hômi.
Não, não vou falar o nome dele, que eu começo a ficar com raiva. E eu estou me divertindo chamando ele de hômi.
Para piorar ainda mais essa merda toda, em Fusion nós temos uma AI criada pela Federação baseada na personalidade do hômi, o que me parece apenas mais um meio dela continuar controlando a Samus, uma maneira de continuar explorando esse problema psicológico que ela tem.
E é por isso que eu não quero mais jogos de Metroid.
Porque provavelmente eles vão continuar tendo a influência do Yoshio Sakamoto, e ele vai continuar esfregando na nossa cara que Metroid não é uma história sobre uma mulher badass que viaja pelo espaço para combater “o mal”, mas sim que esta é uma história de uma mulher submissa, obsessiva com um relacionamento abusivo e que este é o tipo ideal de relacionamento.
Só que não precisa continuar assim.
Ainda dá pra salvar a Samus.
E eu tenho uma sugestão de como.
Metroid: The Retcon
A minha sugestão de como salvarmos a Samus não é uma campanha para encher o Yoshio Sakamoto de desgosto com a série até ele chegar no Satoru Iwata (atual presidente da Nintendo) e pedir para nunca mais trabalhar com nada envolvendo Metroid ou a Samus, por mais que essa seja uma ótima idéia, já que deu certo com o Lucas e ele vendeu Star Wars para a Disney.
O que eu quero propôr aqui é uma história para o próximo Metroid, onde nós eliminamos da continuidade esses episódios com “o hômi” e assim nós temos de volta a Samus badass.
Sim, vou escrever um fanfic. Sim, também estou com nojo de mim mesmo. Aliás, acho até que o que eu vou escrever nem chega a ser classificado como um fanfic, vou mais delinear um plot, descrever um argumento.
Antes de eu começar, porém, quero comentar uma coisa, que é o que eu estou me martirizando muito sobre escrever isto. Até agora não sei se devo, e não é só por causa de todo o meu medinho de mostrar minha falta de criatividade para vocês. Estou com essa sensação de que se eu contar essa minha idéia para o mundo, nunca que a Nintendo vai fazer qualquer coisa minimamente parecida com ela, seja por desgosto, num sentimento de “eu faço o que eu quero, não me fale o que é melhor pra mim”, seja por questões legais, do tipo eu querer processá-los se eles fizerem alguma coisa parecida com a minha idéia.
Não posso fazer nada quanto ao primeiro caso, mas quanto ao segundo, quero deixar registrado aqui que eu estou dando esta idéia para o mundo de graça, podem fazer o que quiserem com ela, desde que seja para salvar Metroid e a Samus.
Nossa, como eu me acho importante. Mas é que eu realmente gosto da minha idéia, e realmente quero acreditar que algum dia verei um Metroid com uma história parecida com a que vou apresentar agora.
Bem, vamos logo ao que interessa.
Nossa história começa algum tempo depois do final de Fusion. Mesmo depois de ter ido contra uma ordem direta (no final de Fusion), Samus ainda realiza missões para a Federação, e ainda com o AI do seu hômi como companheiro. A Federação assumiu uma posição de “entendi porque você fez o que fez, mas que isso não se repita”, enquanto que Samus acredita que “com a ajuda do AI do meu hômi, eu sempre conseguirei discernir o certo e o errado, e vou sempre tomar a decisão correta”.
De qualquer maneira, Samus pousa num planeta para cumprir uma nova missão: ir pegar um McGuffin qualquer numa base pirata. A Federação não contou para ela o que era o McGuffin, e a Samus não perguntou, já que a AI do hômi dela não deu importância para o McGuffin. Não pensei muito nos detalhes dessa missão inicial, para ser sincero, mas é que eles não importam tanto assim.
Esse seria o começo do jogo, funcionando como o tutorial. Inclusive, Samus teria todos os upgrades nesse início, desde a Morph Ball até o Grapling Hook e as Power Bombs.
Após eviscerar todos em seu caminho, Samus chega até a sala do McGuffin, e é um artefato Chozo. Ela dá uma fuçada nos computadores dos piratas (com o seu scan visor! Yay!) e descobre que o artefato é algum tipo de arma de destruição em massa. Duvidando da integridade das intenções da Federação em relação ao artefato, Samus confabula com a AI do seu hômi, que decide que a melhor opção é destruir o McGuffin, assim impedindo que tanto os piratas quanto a Federação tenham acesso a essa arma. Samus concorda, obviamente.
Porém, enquanto carregava seu laser para destruir o artefato, ela sente certa familiaridade com ele. Começa a tentar relembrar de onde conhecia aquilo, buscando as memórias das sua infância com os Chozo.
Samus começa a hesitar, e decide (sozinha! Sem autorização do seu hômi!) mexer no artefato para ter certeza do que ele é. Mas a AI do seu hômi não ia deixar uma desobediência dessa acontecer, e começa a abusar verbalmente de Samus para ela simplesmente destruir logo o McGuffin. Ela sofre, mas ignora seu hômi e quando toca o artefato se lembra do que ele é, e neste mesmo instante ela desmaia.
Teríamos então uma seqüência nos sonhos da Samus, onde ela adolescente está num salão cercada por alguns Chozo, é um flashback dela. Aquele que parece ser o Chozo mais velho e o líder mostra para ela um artefato idêntico ao McGuffin, e quando Samus o toca sua armadura se materializa em seu corpo pela primeira vez. Ela olha impressionada para si mesma, e o velho Chozo põe a mão em seu ombro e olha fixamente para os olhos dela.
Nessa hora, Samus acorda. Ela está dentro de um tubo gigante de vidro cheio de algum líquido. Está seminua, vestindo um tipo de maiô de banho, e uma máscara de oxigênio a permite respirar ali. Do lado de fora, ela vê que está num laboratório da Federação. Vários cientistas/médicos de jaleco branco olham para ela assustados, alguns gritando entre si. Percebe então que diversos cabos estão presos à sua cabeça, e que seu cabelo foi raspado. Ela começa a arrancar os cabos, alguns estavam conectados diretamente no seu cérebro, causando uma dor intensa. Mas isso não pára Samus, que mesmo gritando de dor consegue arrancar todos os cabos.
Ela começa a socar o vidro, até ele rachar e ela conseguir sair do tubo. Nessa hora, vários dos cientistas já fugiram, e começam a aparecer soldados da Federação. Samus, mesmo zoada pela dor de ter arrancado os cabos da cabeça, consegue fugir.
Na minha cabeça, nós controlaríamos a Samus já a partir da hora em que ela acorda no tubo, apertando botões para arrancar os cabos e para quebrar o vidro, controlando ela em seguida enquanto ela foge do laboratório. Não sei se há a necessidade de termos controle sobre a seqüência sonho/flashback, pois teríamos pouca liberdade de ação, provavelmente ia ficar um “aperte X para condolências”.
De qualquer maneira, agora que o jogo começaria para valer, onde a Samus está em alguma base da Federação sem armadura, sem nave, sem a AI de seu hômi e sem a menor idéia do que está acontecendo. E com uma dor de cabeça horrível. No início teríamos uma jogabilidade mais focada em stealth, com ela espreitando pelo complexo até achar o artefato Chozo, que seria uma armadura nova para ela. Aliás, pensei até de entre ela fugir do laboratório e encontrar a armadura, ela nocauteie uns soldados e use a roupa de um deles.
A armadura nova seria bem básica, sem nenhum upgrade, no máximo a Morph Ball. Quando ela veste a armadura pela primeira vez, só para enfiarmos uma seqüência explicativa nada sutil e bem clichê, ela teria uma visãozinha do velho Chozo onde ele faz um discursinho telepático para ela no sentido de “faça o que acredita que é certo” ou sei lá.
A partir daí teríamos o metroidvania básico, com a Samus explorando o complexo, encontrando upgrades, enfrentando soldados inimigos e etc.
Durante o jogo, Samus iria descobrindo a verdade e o que realmente aconteceu: após a destruição de Zebes (o final de Super Metroid), a Federação decidiu que Samus era poderosa demais para andar livremente por aí, e era necessário fazer alguma coisa. Mas eliminar a caçadora era visto como um desperdício, e o foco se tornou encontrar uma maneira de submeter Samus completamente à vontade da Federação e, ao mesmo tempo, explorar a tecnologia Chozo da sua armadura e replicá-la. Prepararam uma armadilha e convocaram Samus ao planeta SR388 para uma missão - a do início de Fusion.
Ao contrário do que é contado em Fusion, o vírus X que Samus contraiu não era um parasita cujo o predador natural eram os metroids, mas sim uma arma biológica criada pela Federação para deixá-la num estado de coma.
Durante esse coma, a Federação implantou diversas memórias falsas em Samus, criando um passado onde ela fez parte do exército da Federação e serviu sob o comando do seu hômi. Fizeram questão de criar uma série de memórias que a tornasse completamente dependente do seu hômi, para que só o pensamento de ir contra ele a deixasse infeliz.
Todavia, durante alguns testes em simulações virtuais, Samus sempre acabava quebrando alguma ordem, ou decidindo por si só tomar outro caminho que não o determinado pelo seu hômi. A solução encontrada foi então criar uma nova memória, onde seu hômi se sacrificaria por ela, criando um sentimento de culpa para garantir que ela fosse sempre obediente.
Sim, a simulação onde o hômi da Samus morre é Metroid: Other M. Tudo aquilo foi uma simulação virtual manipulada pela Federação para a Samus acreditar que devia tudo o que tinha para o seu hômi e, por extensão, à Federação.
Só que ainda assim, Samus mostrava pequenos sinais de rebeldia nas simulações, principalmente quando o cenário parecia de moral duvidosa, onde envolvesse a morte daquilo que, do ponto de vista dela, eram inocentes.
Paralelamente à isso, os estudos de sua armadura avançaram bastante, e já tinham um protótipo para ser testado.
Foi então que a Federação encontrou a solução perfeita para os dois problemas: uma missão de teste, não virtual, onde Samus usaria o protótipo da armadura e, ao final dela, até mesmo as pequenas rebeldias dela estariam sob controle.
Esta missão teste é a que Samus cumpre em Metroid Fusion. Ela iria ser supervisionada por uma AI baseada no seu hômi e um evento planejado daria à Samus a oportunidade de ir contra suas ordens, mas em seguida a AI validaria a decisão dela, aprofundando o vínculo emocional dela com seu hômi e tornando-a ainda mais submissa à Federação. O fato dela enfrentar uma versão fantasma dela com sua armadura original, inclusive, era uma maneira de reforçar uma rejeição pelo passado real dela. Sem contar que nessa missão conseguiram obter dados valiosos para as armaduras planejadas para produção em massa, resolvendo inclusive o problema que a armadura tinha com temperaturas baixas - algo que foi passado para Samus como parte da simbiose dela com os metroids mas que não passava de um problema do design da armadura.
Com isso, a Federação finalmente deixou Samus voltar à ativa, passando todo tipo de missão para ela e manipulando-a para ela sempre cumprí-las plenamente, mesmo quando percebiam um questionamento moral dela.
Mas quando ela tocou aquele artefato Chozo, as memórias de infância dela voltaram e entraram em conflito com as memórias falsas, já que ela nunca serviu como soldada da Federação e foi treinada apenas pelos Chozo. Como a Federação tinha instalado um sistema de emergência na armadura dela, apagaram-na levaram-na de volta ao laboratório para mais uma vez apagar as memórias verdadeiras e reforçar as falsas. Este laboratório, aliás, fica no mesmo complexo onde estavam sendo criadas e testadas as armaduras de produção em massa - por isso que os upgrades que ela encontra pela base funcionam com a armadura Chozo nova dela.
Só que Samus acordou durante a operação, sabe-se lá porquê. E assim chegamos ao momento em que ela acorda no tubo de vidro com um monte de cabos presos na cabeça dela.
Claro que levaria o jogo inteiro para a Samus descobrir a história toda, e ela teria um certo choque ao ver que parte de suas memórias eram falsas e que a Federação, que ela via como o “bem”, podia ser até pior que os piratas espaciais. Imagino que o final do jogo envolva ela enfrentando uma versão 3.0 da armadura dela, e ela explodindo a base inteira, até para ter a clássica fuga metroidesca.
E se você termina o jogo num tempo bom, você vê uma ilustração da Samus socando o hômi dela na cara. Com 100% dos ítens, ela está chutando ele no saco.
Conclusão:
Bem, essa é a minha proposta para remover da continuidade completamente o hômi da Samus. Eu sei que ela não é assim, um Dostoyevsky ou um Kafka ou mesmo um Gaiman, mas gosto muito do final, onde o hômi não passará de uma memória falsa e um instrumento diabólico de manipulação que quase destruiu completamente a vida de Samus.
Não muito diferente de relacionamentos abusivos na vida real. Os mesmos tipos de relacionamentos que Yoshio Sakamoto tratou como ideais em Other M.
Sério, Yoshio Sakamoto, por favor, nunca mais escreva nenhum jogo. Melhor ainda: nunca mais escreva nenhuma história. Principalmente se tiver alguma personagem feminina.




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